sábado, 7 de dezembro de 2013

La Paz pela Joyce

Viajamos juntas, somos melhores amigas, parte de mim é ela.
Segue as impressões da Jou amada e todo seu amor aos ônibus de La Paz.
E eu sou implicante. Pertubei muito a Joyce. Principalmente suas fotos. ;)


La Paz pela Jou:

Dica:

- Leve um caderno ao invés de ser pão dura e comprar um caderno horrível na viagem, que vai se destruir e cair folhas. Você pode fazer depois um blog lindo como esse da Chai e ainda anotar os gastos pra nunca se pagar as dividas, como eu e a Chai fizemos (não, isso não é uma indireta pra Chai, nem sei se sou eu que devo ela ou ela que me deve). | Temos uma conta conjunta de dívidas desde a 7ª série.

Pequena lista de coisas que eu esqueci:

- casaco sério pra muito frio outro casado corta vento, especialmente pro Uyuni.
- roupa térmica (eu tinha e não levei, a inteligente)
- protetor labial: isso é muito necessário, a gente não consegue entender como lá é seco antes de ir. Li no guia, achei que era exagero e me fudi.
- hidratante: mas isso pode comprar na farmácia lá.
- meia calça muito grossa: pros dias de piriguete, colocar só a meia e uma saia ou então pros dias de horas de turismo no frio, pra colocar em baixo da calça.

Das lembranças pros que ficaram:

Listinha na mão (se você é dessas) pra poder escolher direito. Nada de chaveirinho e canequinha, se eu deixei de ser mão de vaca você também pode deixar.

Leve cachecol, ponchos, coisas de prata (pingente, brinco, etc, um pouco caro se a gente levar em conta que não sabe distinguir o que é prata de verdade e o que não...), achei umas caixinhas de madeira altamente fofas... Mais difícil pra achar lembrancinhas pra homem que eles efetivamente usarão... Quase trouxe pra casa uma coberta lindaa, mas alguma parte da minha pão-durice restou em mim.
E além do mais, eu não tinha mais muita grana porque nós fomos espertas o suficiente pra fazer as compras NO FINAL da viagem, o que foi inteligente com uma companhia como a Chaiana, pra quem tudo é uma oportunidade imperdível porque "quando é que a gente vai voltar na Bolívia?"

La Paz:

Sabe quando você pensa que ar rarefeito é brincadeirinha? Que você vai sair do avião, chegar numa cidade e começar o turismo, tipo tudo bem? Só que não. Primeiro dia de La Paz eu (Joyce) fiquei no quarto passando mal. Dor de cabeça, tontura. Viva o remedinho (Sorojchi, não custa repetir) e o chá de coca. Meu corpo precisou de um dia pra entender o que estava acontencendo.

Chaiana malandramente aproveitou o dia pra fazer compras, inclusive e principalemente e genialmente um saco de dormir que aguenta – 15ºC. Isso foi muito necessario no Uyuni. Custou $ 107. Em bolivianos seria 750 bls.

O que eu mais gostei da cidade de La Paz:

- montanhas e o não-horizonte
- os ônibus
- ruas cheias de gente e suas roupas
- museu da coca

Explico:


La Paz é no meio de um vale, de verdade. Do tipo você olha pro alto e vê casas. Fiquei chocada como a cidade é cercada por montanhas. E maravilhada vendo os Andes com neve quando você vira uma esquina.

La paz, sobe pra descer, desce pra subir.... Estou olhando as fotos e lembrando de como eu fiquei chocada que a cidade é cercada por montanhas…

Essa é uma foto bonita do efeito vale-sem-horizonte

Os ônibus são todos coloridos, lindos. Será que vão um dia "modernizar" as frotas e jogar essas belezas fora?

pergunta: porque Chaiana esta desfocada na foto?
resposta: porque ela entrou na frente da minha foto de onibus!

ruas de La Paz, não tenho nada pra falar das ruas, só que elas são bonitas, vivas e cheias de gente...


Essa foto é besta, mas por favor olha o quanto é especifico o que ele/ela vende, adooooro! Vende-se coisas. hahahhaha.

Museu de la Coca | La Paz


Tínhamos mais esse dia e a noite passaríamos em um ônibus indo para o Uyuni.
Tiramos o dia para o Museu da Coca.
Lugar nice! Gostei de lá.
Compramos bala de coca, extremamente forte. Boca dormente, bem bizarro. Anestesia de dentista.
Não sei se compro mais, minha boca ficou coçando.
Pergunta, se sou alérgica a Benzocaína, sou a cocaína?
Enfim, tomar cuidado com os anestésicos. E se eu cheirar? Passo mal também? Ai nosso corpo, nossos limites.


Tudo bem simples, precisa ser modernizado.
Mas é legal lá. Você ganha um guia com números e vai percorrendo os números das fotos e instalações e lendo as legendas. Lemos todas. Ficamos alguma horas nesse pequenino museu. Muita informação boa.


Proibido tirar fotos lá, mas tiramos algumas com o telefone. Feio... tão feio... Mas instrutivo, vai.


Joyce:

Ir no museu da coca foi ótimo (inclusive ele é no meio das ruas de comprinhas e você tem que atravessar mil lojas pra chegar lá, porque eles são malandros). Aprendi muitas coisas no museu, pena que esqueci 80%. O principal é:

1. a coca é/já foi usada pra mil coisas, inclusive como anestésico, e chá de coca faz bem pra mil coisas no seu corpo
2. refinar coca é um processo longo e você precisa de muita, mas muita folha de coca pra chegar na cocaína
3. existia um vinho com cocaína que fez um alto sucesso nas elites do mundo, tem vários jornais e posters (inclusive franceses, desses que a gente pode comprar em Montmartre), citando pessoas que elogiam o tal vinho ou então lindas propagandas antigas dizendo que tinha cocaína dentro do vinho...
4. a cocaína ja esteve presente em mil coisas, inclusive Coca-Cola e remédio pra dor de dente. Não podia tirar fotos dentro do museu, mas bom....


Estamos com dúvidas sobra a volta do Uyuni. Se voltamos para La Paz e pegamos outro ônibus para Cusco. Joyce está pesquisando avião La Paz – Cusco. De ônibus, vamos demorar 24h. Atravessando para o norte, para depois descer parando pelo Titicaca.

Cochichos com o diário: terceiro dia de viagem, ando irritada e nervosa. Preciso me acalmar, mas sempre parece difícil. Coisas pesadas, necessidade diária de argumentar cada passo. A noite, fomos para a estação de ônibus. Vontade de ficar sozinha. Escrever, acalmar, pensar. Que lindas e complicadas são as pessoas.

31.08.12 | 2º dia La Paz


Nas cabines tentando falar com o Banco...

Depois de mil tentativas pelo telefone com o querido Banco do Brasil, tentar com mil caixas eletrônicos. Fomos ao banco, enfim! Ooo riqueza! Banco do Brasil :) Obrigada governo! Rá! Bela agência no centro de La paz.
Tudo a pé, tudo ok.
Tão simples que nem sei. Juro, ainda bem que as duas eram correntistas do Banco do Brasil.
Saímos rycas, cheias de cuidados, sacamos um dinheiro que queríamos para a viagem toda. Problema com dinheiro, nunca mais.
Levamos porta-dólar. Aquela pochete fofa que coloca por baixo da roupa.
E passaporte, sempre conosco.
Alguns bolivianos e alguns dólares para o Peru.

A caminho do Banco, e felicidade.

Fizemos uma conta de mais ou menos 40 dólares por dia, o que daria 80 Reais por dia.
Sacamos cada uma +ou- 700 dólares para mais 18 dias que tínhamos pela frente e mais um pouco em bolivianos para guardamos os dólares para Machu Pichu e o Peru.

E enfim, compramos nossa ida ao Uyuni!
Sorte lançada.
Mas rodamos alguns lugares. Tudo meio que igual. A diferença é o atendimento.
Em todos os guias que lemos estava escrito: tome cuidado, eles passam a perna e blá, blá.
Somos cariocas, produtoras e chatas.
Perguntamos tudo mil e 2 vezes, pedimos papel timbrado, e sei lá mais o que. Só para a consciência ficar tranquila que fizemos tudo que podíamos. Porque sabíamos lá no fundo, que é sorte, destino, Seu Cosmos, como quiser chamar.

Agência: Kanoo Tours, dentro do próprio hostel.
Super recomendo. Adorei as meninas, e deu tudo certo com o combinado.
Tour do salar: 3 dias/ 2 noites - 790bs
Um dia - 250 bls
Calle Loayza 420, Zona Central, La Paz
Tel: (591-2) 2460003 / 73007103
www.kanootours.com
info@kanootours.com

Incluido: transporte, guia, comida
Não incluído: parque nacional - 150bs, isla incahuasi 30bs, agua, snacks, saco de dormir
Dia 1 - Uyuni, Colchani, Incahuasi, Isla Pescado, San Juan
Dia 2 - San Juan, Paso Leon, Lagunas, Laguna Colorada
Dia 3 - Laguna Colorada, Geysers, Laguna Verde, Uyuni


Rodamos La Paz atrás de um mercado para compramos guloseimas para o Uyuni.
Negresco, água, castanhas, pão de mel, mel... Ansiedade para o Uyuni.
Amo conhecer mercados locais.
O da Bolivia foi bem bizarro. Não sei onde fomos parar, mas vimos animais vivos e coisas bem estranhas.
Era uma feira municipal.
Acabamos comprando em um mercadinho menor mesmo.

Outra coisa que compramos foi mais remédio para altitude.
Não sabíamos, mas melhor prevenir.

Um ps bem importante: Na busca por um mercado, vimos uma reunião sindical em um coreto. Foi uma das coisas mais legais que vi na Bolívia. Uma mulher em um palanque improvisado, discursando sobre o governo, a necessidade de mudanças, pelo menos 15 pessoas ouvindo. Que cada praça, cada espaço público seja a semente de mudança. Renova as esperanças ver isso.

Mais 35bs nos remédios de altitude... :/

Cochichos com o diário: preciso ser mais doce e paciente para o segundo dia de viagem. Estou ansiosa para o deserto. Lugar especial da terra, com uma energia que quero sentir por completo. Limpar a alma e voltar a entender o equilíbrio perfeito da natureza e o nosso papel nela. Muito frio e muito bonito. Extremos de suportar a estrada ruim para se ter a alegria. Será que sempre há de padecer para se chegar ao paraíso?

30.08.12 – 1º dia em La Paz


Acordamos cedo, Joyce acordou ainda passando mal.
Chá de coca no café. Café do hostel, chá e um pão específico com a opção geléia ou manteiga. E é isso.
Fizemos ainda a fofura de preparar um pão para cada e levar na bolsa. (Acabamos fazendo isso todos os dias, super certo e feliz)
Conseguimos dar um passeio pelas ruas, ir a praça.
Entramos em uma pizzaria, na praça para tomar um Coca, ver se a Joyce melhorava...
Mas logo ficou muito enjoada e com falta de ar e voltou ao hotel. A tal altitude. Vai entender. Cada um reage de maneira diferente. Eu fiquei ótima. Nesses primeiros momentos, claro. Parecia local, animaaaadaaa.

Coca-cola made in Bolivia. Existe, todo mundo bebe e QUENTE ! Bolivia e gelo é uma combinação que não tem!

Joyce, descansando no hotel e Chaiana na rua na missão.
Então hora de sair a rua e pesquisar tudo para ir para o Uyuni! Missão energética, escolher o melhor passeio por sentimento. Porque de preço são quase todos iguais!

Eu conheci a Igreja de São Francisco, passei por uma manifestação, fui a calle llampu atrás de saco de dormir para o Uyuni. Consegui comprar o saco, e umas luvas e cachecol.
Andei bastante por La Paz sozinha.
Um caos igual a um centro de cidade. Normal.
Sim, eu sou loira, cara de europeia. Todos te olham. É isso.
Em algum momento os papeis tem que ser invertidos.
Nas andanças, encontrei o museu da coca, um monte de lojinhas legais e coisas de frio. Prata, belos e baratos brincos de prata. Mas eu só fiz o mapeamento rápido para voltar depois com a Jou.
Mas sempre desconfio desses lugares só para turistas. Mas ali realmente o Saara de La Paz.
Transito caótico faz a caminhada pela rua ser ainda melhor.
E que lindas são as mulheres bolivianas. Cara de guerreiras. Suas cores. Quanta sabedoria elas devem ter. Ar de mistério.
Detalhe para os dentes do povo boliviano. Muitos dentes de ouro. Poucos dentes de ossos. Saúde dentária precária. Inseriram na cultura deles as alimentações toscas, e nada da pasta de dente e flúor para tirar os ácidos ingeridos.



A noite, Joyce um pouco melhor, saímos para comer.
Tentamos um primeiro restaurante.
Foi meio bizarro. Umas papas fritas beem estranhas. Pagamos 24.50bls no jantar e ficamos ainda com fome.
Atravessamos a rua e fomos num tipo de fast food boliviano. Cheio de pollo, viva o frango! 22 bls o prato.


Primeira tentativa de jantar, lugar fofo, comida ruim.

O bom e tradicional fast-food boliviano.

O fast-food boliviano

A vida sempre faz repensar. Um passo depois do outro. Saímos deixando por nossas frescuras culturais, e pelo tamanho enorme do prato também, muita comida na mesa.
Vimos duas crianças revirando o lixo bem na porta.
Voltamos e pedimos para levar a comida que sobrou.
Oferecemos as crianças assustadas.
Nunca vi crianças tão assustadas com aquela atitude, enfim. O Haiti é sempre, logo ali.


Cochichos com o diário: Chegando no hostel a Joyce disse que não sei flertar. Será?
Realmente não sou tão simpática a ponto de, e ai gato, mas a lógica é tão louca que sempre acho que quem tiver que se aproximar, virá. E ai, não faço nada. Nem a unha, e tem pouco tempo que passei a pentear mais os cabelos. Na juventude sempre levei ao extremo: gostar de mim do jeito que eu sou. Unha feia, despenteada, mas ótima. É não dá tão certo também. Joyce pode ter razão. Infelizmente não desconectamos de onde viemos tão rápido.
Tinha gente no Rio, tinha gente em SP. Coração escangalhado. Envolvimento com gente errada, envolvimento com gente legal, relacionamentos em desequilíbrio e os leves, afastamentos nada espontâneos. Tudo buscando o tal equilíbrio. Tinha muita coisa para desintoxicar ainda. A mente nossa e suas pegadinhas.

A energia que emanamos é a que atraímos. Outro ditado bom e forte para viajantes.


Gastos do dia:

Ligações - 16bls
Almoço Chai - 28bls
Remédio - 9.8 bls
2 luvas e uma toca - 100bls
cachecol - 700 bls
sacos de dormir - 107 $ ou 750bls (os dois)

Gastos da noite:

Janta 1 - 24.50 bls
Janta 2 - 22.00 bls
Cerveja Chai - 18 bls
Cerveja Jou - 18 bls

01:00AM | Chegada em La Paz



Chegamos na madruga já cansadas.
E veio aquele momento na fila do desembarque: Amiga... estou meio tonta, sei lá de repente. Nossa, eu também... o que será?

Aaa a altitude!

Mal conseguimos pegar nossas mochilas no aeroporto.
Para abaixar e levantar com a alça o mundo rodou.
Muito frio na madrugada.
Minha mochila foi inteira revistada. Só para bagunçar a vida.
Aeroporto minúsculo. Quase nenhum taxi. E tontas com a altitude. E vida. E claro, felizes.
Não foi tranquilo pegar um taxi não. Mofamos um pouco no aeroporto e as duas passando mal. Mas no máximo íamos dormir por ali.

Taxi, caminho hotel. Mapas na mão. E um portunhol afinadíssimo.
Nada de sacar dinheiro. Trocamos poucos dólares no aeroporto. O suficiente para o taxi.

Remédio Altitude: Sorojchi Pills, em qualquer farmácia mais perto de você. Pagamos 9.80 bolivianos. Eles vendem por pílula.
Para quem não gosta de remédio, o ótimo e maravilhoso chá de coca, bem no seu hotel, no seu quarto, no café da manhã! Natural, de milênios e sem contra-indicação.
Os sintomas passam com o remédio, mas... Gostei não.

Chegada no hotel de madrugada deu tudo certo.
Choramos com o taxi. nas minhas anotações confusas acho que foi 40bls.

E para subir um lance de escada do hotel foi zuadíssimo.

• amei o quarto do hotel que tinha chaleira elétrica! Hostel com chaleira elétrica! E muitos chás no quarto! Amor maior!

Chá de coca industrializado no quarto do hotel.


Hotel

La Paz: Hostel Loki – Calle Loayza 420 – Zone Central
http://www.lokihostel.com/la-paz
Gostamos. Bem localizado. Nem tanta ladeira assim para subir. Mas o climão hostel cheio de europeus irrita. Fanfarões eternos. Europeus bebendo em cima das mesas, gritando. Cara, vocês estão na Bolívia, vão para a rua. Apostamos que tinham vários que não saiam do hostel para nada. Mas hostel bem aconchegante. Quartos bons. Ficamos em um só para as duas, com banheiro no corredor. Plano perfeito.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Bolívia e Peru: Agosto | Setembro 2012



Participantes: Chaiana e Joyce | 24 anos
Tempo da viagem: 29 de agosto até 17 de setembro | 20 dias
Roteiro: Lima (escala) | La Paz | Uyuni | Cusco | Aguas Calientes | Arequipa | Puno | Copacabana | La Paz

Coisas a deixar claro sobre a viagem:

A viagem foi de celebração.
Duas amigas de mais de 10 anos de amizade realizando um sonho de criança. A 1ª viagem só as duas. Que hoje, não estão só afastadas pela vida adulta, mas moram em países diferentes. Joyce mora hoje em Paris. Do convívio diário do ginásio a férias super programadas anuais.

Pré viagem:

Um dia estou trabalhando em SP, dormindo em um sofá e de ressaca.
Sou acordada com uma ligação internacional.
- Acorda agora, abre seu computador.
- Oi?
- Vamos comprar a passagem hoje, ou não vamos mais.
- Anda, acorda e entra no Skype.
Assim ordenada, assim fiz.
Assim viajamos.



29/08/12 – Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro


A melhor parte da viagem: o inicio.
Ansiedade e planejamento.
Fizemos uma planilha com nossas datas e lugares.
Super reajustavel ao longo. Foi importante sair do Brasil com ela.
Saímos sem nenhum hotel reservado. Mas com guias na mão, com nome, endereço e telefone de alguns e com um novo Iphone na mão. Modernismo e mimo bem útil aos novos viajantes. O que são os app de reserva de hostel? Mara. Olhos e coração preparados. E quem tem boca e amor, chega, se chega.

Ponto negativo do aeroporto para mim: é nele que vai dinheiro embora de bobeira. É uma água, um café, um biscoitinho... No caso eu gastei R$ 67,80. Ansiedade é uma merda. Comi um bolo de rolo com Capuccino e comprei 10 maços de cigarro que tinha esquecido de comprar antes. (Cigarros e altitude, quanta combinação e esperteza) Esse dinheiro óbvio que ia fazer falta.

Agosto: época de frio.
Altitude: frio
logo, peso.
Mochilas: minha 13kg, Joyce 11 kg.

Cochichos com o diário: Não saber o que nos reserva. Amores, novas amizades, novos rumos profissionais. Quero paz no coração. Sempre ele. Aprender a ser mais serena. Muito agradecimento. Seu Cosmos, mais uma vez muito obrigada. Viajar é a melhor coisa dessa vida, ou da minha vida. Espaço, tempo, se confundam por favor. Olhos preparados. Coluna que já sai do Brasil doendo. Mas mente sã. Acho.


1ª decisão: Escala em Lima

Compramos um péssimo vôo. Péssimo. Na volta então uma coisa. Mas barato. E eram as datas que queríamos. Tínhamos esse momento datas. Quem não tem, não pegue um vôo com tanta escala. Mas a escala da ida foi muito bem vinda. Já as da volta... enfim.

IDA: Rio - Lima - La Paz. Só que de Lima para La Paz tínhamos 12 horas de intervalo. Tempo suficiente para sair do aeroporto, conhecer a capital e voltar tranquilamente ao aeroporto. Pagamos $30 cada para sair do aeroporto. Vale, não vale? Poderiamos também ficar no terminal 12h recordando Tom Hanks. Não é o ideal. Fato. Meu dia de atriz não era hoje.

Mais feliz que descobrimos que é o dia da padroeira deles. Amor maior a essas pequenas festas realizadas nas cidades. Cidades católicas como Bolívia e Peru, andem com o calendário religioso.

Pedimos ajuda ao aeromoço gatinho sobre essa missão de sair e voltar ao aeroporto. (eu achei gatinho, Joyce achou gay, prefiro acreditar que é só a cultura diferente e que o mundo é povoado por homens gatos, e que não o mundo não pode ser totalmente gay)

E começamos a nossa saga pelos melhores conselhos, dicas, pessoas com sorrisos felizes.


1º problema: Dinheiro!


Não trocamos muito dinheiro! Precisávamos sacar dinheiro no ATM. E pagamos $ 60 dólares para sair do salão de embarque e eu gastei meus reais comprando cigarro. (aqueles que iam fazer falta)
Não tínhamos dinheiro para nada para falar a verdade. Erro enorme. Dica óbvia: Levem dinheiro vivo. Vários já passaram por isso. Sistema de bancos nada confiável.

Fomos em todos os caixas eletrônicos da ATM do aeroporto. Usamos Banco do Brasil, Itau, crédito do Citibank, nada! Belo e feliz desespero. Saímos do aeroporto sozinhas e a pé, atravessamos uma passarela em frente até um centro comercial. Sem sucesso. Nada. Não conseguimos sacar pela tarjeta. Legal. Voltamos ao aeroporto: fome.

Primeira observação da viagem: Peruanos são bem tarados, machistas e agressivos nos elogios maravilhosos, mínima vergonha de gritar bem alto "psiu, princesas, lindas, besos chicas". Ok, estamos viajando, seja feliz. Encaramos os elogios com bom humor. É isso. Meninas, sozinhas. Podíamos estar no Egito e ser pior. Grande descoberta, machistas. Legal. O mundo todo é.

Conseguimos sacar dinheiro dentro do aeroporto, mas a moça não sabia se tirou do crédito ou do débito. Nice. Sempre nice.

Esse momento todo dinheiro, custou o mais valioso da vida: tempo!

Mas convencemos uma a outra, mesmo sem estarmos convencidas que ainda valia a pena sair do aeroporto!

16:00h | Enfim Lima!

Pegamos um taxi e lá estávamos nós: centro histórico de Lima! Com sol! Ai, o sol!
Taxi pechinchado : 45 soles
Santiago o motorista! E com Nextel! ;)
Só passar um rádio e Santiago volta para nos buscar!

Ps. Definitivamente homens Peruanos parecem amar brasileiras : - Querem dormir lá em casa? – Posso chamar vocês para um café?

Paramos no Lima Café – Peruvian Pastry & Cofee
Lugar super simpático. Não muito barato, mas com aroma especial de cheiro de café torrado maravilhoso. Ok, meio americanizado. Mas com uma atendente muito simpática.


Rodamos a praça, andamos muito, muitas ruas em volta.
Conseguimos ainda ver uma parte da procissão da santa padroeira da cidade.
29 setembro. Dia da padroeira de Lima, Nossa Senhora do Rosário.

Lima e suas esquinas, cores, pessoas, encantadoras.


Propaganda de uma loja em Lima.

Preparação da passeata católica.

Tivemos um momento em Lima, que Joyce me lembrou muito bem:
esqueceu a praça MARA que tinha internet, onde a gente olhou o endereço do hostel em La Paz (ja que a gente iria chegar 1h da manhã).

Graças a essa praça, cheia dos pombos com seu lindo wifi conseguimos mandar notícias e ter onde dormir nas próximas horas.
Nome da praça: Plaza Saint Martin.


Fotos da praça. Obrigada Wifi.


Agora...

A comemoração do feriado santo em Lima, teve participação do exército, polícia...
Estado Laico.
Assim, adiciono o comentário da loucura do exército/polícia comemorando dia santo.
Valeu separação de poderes.

Exército protegendo a imagem da padroeira.



O taxi? Deu super certo! Bip, bip! Santiagggoo!
Nosso espanhol? Do péssimo ao terrível. Mas Santiago foi malandro.
Voltamos ao aeroporto. Cerveja até o embarque para La Paz! ;)
Viva a tal cerveja dos Andes, a Cusqueña! Salve, salve os sabores!


Dica para o Peru: Se tem Nextel no Brasil, vale levar para lá. Para o Taxi, para contatos, confirmações, hotéis, futuros amigos!

Vamos lá, os tais motivos







Bom, amor e viajar para mim é redundância. Uma coisa vem da outra. Quem viaja sem amor, não consegue entender o que o deslocamento consegue fazer com a vida de uma pessoa. E quem ama sem viajar não conhece o amor. Não tem o ditado: se quer saber se ama ou odeia uma pessoa, viaje com ela! Incluindo ai, a arte de se auto suportar nas viagens sozinhas.
Acho que somando minhas vidas passadas já devo ter dado a volta ao mundo, e preciso revisitar. Sinto saudades de lugares que nunca fui, de cheiros que nunca senti, de gente que sei que vou encontrar.

Quem gosta de viajar nos tempos de internet, tem sempre o primeiro momento da busca por informações sobre o destino. Você joga no google e, pelo menos eu, sempre demoro até achar informações realmente úteis. E o que são informações realmente úteis? Na viagem da Bolívia a Joyce simpatizou com um guia que a menina era mais pessoal, sempre é, mas a maioria dos viajantes fingem que não. Foi a escolha pessoal dela, viajar com quase um diário de bordo de outra pessoa. Tem aqueles que preferem: vá ali. Teatro, rua 3, Casa Rosada, tem que ir e outras dicas e mandamentos básicos para os turistas.
Uma amiga na Lapa, aqui no Rio, me falou, não tem como comprarmos os guias do Lonely Planet para viajar, “você já viu o que eles indicam aqui do Rio? Você iria em algum desses lugares?” Realmente… não! Vir ao Rio para ir a um pub que vende cervejas mundiais na Lapa e não conhecer a cachaça de Gengibre é pecado. Mas turista geralmente é assim. Vive da esperança para atrair boas dicas.
E todos sabemos, lugar é pessoal. A cidade é maravilhosa para uns, fedida para outros...

Mas na internet conseguimos achar bons relatos, experiências e todo o tipo de informação, pronto, nasce mais uma!
Bem pessoal, partindo de diários de viagem, papeis colecionados, lembranças das mil fotos.

Logo, os relatos dependem de quem escreve, que fotografa, e o momento de vida, o motivo da viagem, com quem acabou viajando... Tanta coisa...

Lugar, conceito pessoal.
Paisagem.
Espaço.
Ai a geografia.

Como olhamos um espaço e analisamos sua organização, é sua perspectiva. Nosso olhar em viagens, principalmente, está recheado de sentimentos, e logo sacamos o que nos faz arrepiar e chorar. Nem que seja o castelo da Disney.

Resolvi escrever para registrar, compartilhar e parar de prometer as dicas que nunca dou e tentar obrigar meus amigos a escreverem aqui também sobre as viagens que não pude ir.

E além do mais, regra básica: nossa casa é a nossa mente.

* Foto: tirada por mim, a caminho do aeroporto, em um dia que fui renovar o passaporte. Postada no instagram com a legenda: passaporte e cartão de crédito nas mãos. Fica a minha pergunta para mim, um dia? Será? Just go?