quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Entre picnics e outros rumos | Sobre app em forma de guias de viagens

Ana Paula e Joyce, saindo do nosso Picnic, Paris 2008.

Hoje em dia o mundo tem muita tecnologia, ok todos sabemos. E sabemos também que nenhuma delas substitui o caminhar. Caminhar na rua, flanar, sentir o cheiro do lugar, observar, se deixar ser observado é a maior delicia de viver. Não entendo quem viaja com pressa. Não dá. E pressa não tem relação com pouco tempo ou pouco dinheiro. Se você estar em um lugar, porque simplesmente não fica? Porque tem que conhecer tudo em um dia ou em uma viagem. Amigo, não dá. O mundo é um mundão, cheio de cantinhos. Gostou? Fique, respire lentamente, peça sobremesa. Que delicia usufruir. Não dá para já fazer planos de roteiros atochados.

Picnic na torre, amor, só amor. Paris, 2008.

Os melhores programas que ficaram na minha memória de duas grandes e felizes viagens foram de picnics. Com a família em Buenos Aires, andamos muito todos os dias, e passamos 5 dias lá, entre eles o réveillon, mais o picnic foi a coisa mais gostosa. Estirados na grama, rolando com histórias, comendo frutas, castanhas, guloseimas... E a virada? Foi normal, brindes, mas na memória do coração e até das melhores fotos é sem duvida do momento reunidos na grama, num parque. A outra lembrança foi em Paris., impensável não fazer um picnic na torre. Queijos, vinhos, pães, amigos e o tempo de flanar, admirar, quando paramos é quando cai a ficha, é, estou aqui! Foi quando olhei a torre enorme, horas, pensando no tal mundão e um monte de outras divagações.

Picnic em Buenos Aires 2012-2013

Adoro a descrição do Wikipédia para picnic: "A picnic is a pleasure excursion at which a meal is eaten outdoors, ideally taking place in a beautiful landscape such as a park, beside a lake or with an interesting view and possibly at a public event": comida, lugar bonito, tempo de admirar e publico.

Mas planejar não tem mal nenhum, mesmo que não cumpra é bom ter escolhas. E hoje além dos guias de viagens, dos milhões de blogs, sites de mochileiros e afins, tem também os smartphones repletos de aplicativos. A primeira vez que viajei e usei o recurso dos apps foi na Bolívia e Peru e eu gostei. Foursquare também ajudou, a decidir por um restaurante ou outro, ou até mesmo mostrar um restaurante que não vi caminhando. Os apps grátis alguns não funcionam sem internet, mas a maioria rola. Rola pelo menos listando os pontos turísticos mais conhecidos e um resuminho das atrações. Para quem não tem nada, metade é o dobro.


Eu geralmente também faço anotações no note do celular ou levo nos cadernos pq não gosto de levar guia para rua, prefiro mapas da cidade e anotações. Mas informação a mão e no celular, porque não?

Não achei nenhum guia, versão app que eu tenha entrado em estado de amor, mas gosto de ter essa opção. É prático, fácil, ajuda.

Saúde é outra coisa | Levando remédios para Cuba


Hoje risquei mais um item que estava faltando resolver da viagem: remédios. Que saco!
Odiei comprar tudo que comprei. Dinheiro pessimamente investido. Odeio. Queria trocar tudo isso por restaurantes e feiras de comida. Nunca levo remédios para viagem nenhuma. Sempre compro bastante chá, e no máximo um Allegra D, por conta das alergias, nem remédio para dor de cabeça costumo ter na bolsa. Não acredito em remédio. São péssimos para saúde, todos. Sem nenhuma exceção. Mas claro, curam sintomas. Viajar para Cuba, onde o acesso é tão restrito a medicamentos, sozinha, por tanto tempo e não levar remédios pareceu loucura. Ouvi relatos de não consegui band-aid, não consegui água quente (...) que confesso, não consegui testar minha fé dessa vez. Além de protetor solar, e repelente, estou levando tantos itens de perfumaria jamais visto nas minhas mochilas de viagens lenços umedecidos, absorventes além dos campeões de vendas mudiais : tylenol, advil, dorflex, coristina d...


Tenho certeza que vou encontrar as mais poderosas ervas nesses lugares, mas não vou abrir mão de levar pelo menos um punhadinho dessas 3 que salvam tanto meus dias, espinheira santa, hibiscos e raiz de lótus. Vai que na correria dos primeiros dias não encontro? Para pessoas ansiosas e alérgicas que sobrecarregam seus estômagos e seu sistema imunológico elas são santas. Limpar, limpar.


Bom poder levar ervas, não posso, mas sempre levo poucas e trago muitas (saudades das folhas de coca). Geralmente só deixam chás industrializados. Se pegarem? Vai para o lixo e tudo certo, seguimos.

Estou na duvida se levo minha chaleira elétrica. Ela já me salvou em algumas viagens com meus chás e até comida consigo fazer com ela... Mas ocupa um espaço considerável na mochila. Bom, vou tentar encontrar por esses dias aquele “rabo de galo” que coloca para aquecer vasilhas, é menos, pode funcionar.


Bom, o que achei prudente levar:
- remédio para alergia
- cólica
- dor de cabeça
- dores no corpo
- pastilha para dor no estômago
- Salompas adesivo e gelol aerossol
- Coisas para gripes e resfriados
- item especial cuba: papel higiênico, não mt, mas pelo menos 2 rolos.
- Álcool em gel, lenço e lenços umedecidos
- os normais: cotonete, pasta de dente, desodorante e afins...
- os clássicos: repelente, filtro solar corpo e rosto (vou levar um boné tbm, já de viagem, que pode molhar, sea rápido, velho de guerra)
- Sabão de coco, bastante para lavar minhas roupas.
- To levando tbm de praxe: uma corda forte mas normal, mania de camping para esticar as roupas.
- Alguns talheres de plástico que são o meu xodó.
- Toalha de natação que tá sempre pronta e sempre molhada (sim eu tomo banho com ela, sim enxuga mt bem)


E para contrapor tudo isso, hoje tem uma grande palestra do ladinho da minha casa da maravilhosa Sonia Hirsh “ Saúde é outra coisa”. Sonia é minha mestra da leitura sobre saúde e alimentação. Para ter uma ideia do curso:


Mais sobre ela:
http://www.soniahirsch.com

Espero doar todos esses remédios, não usar nenhum. Vou com uma mochila de 80 litros. Metade dela tá indo com essa tranqueira de perfumaria e farmácia. Roupa quase nenhuma. De relevante? Uma capa de chuva, biquínis, uma canga e um tênis de corrida/caminhada. O resto, é resto. Resolve lá.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Deixa-me seguir para o mar | Caminhos para o Norte do Brasil


Hoje, 23 de setembro de 2014, tive um pesadelo.
Pesadelo recorrente. Sempre quando uma grande viagem se aproxima, que não consigo pegar o avião. Não chego a tempo ao aeroporto. Não consigo arrumar a minha mala na véspera, me enrolo, o despertador não toca. Vai dando um nervoso que travo e quando vejo não dá mais tempo e viagem cancelada. Minha terapeuta chama isso de culpa, culpa de estar indo e deixar aqui a família. Culpa de achar que estou tendo uma oportunidade melhor do que eles. Nossa cabeça é complexa, sabemos. E de simples... A simplicidade... Que coisa difícil para mim.

Essa próxima viagem Colômbia x Cuba, parece estar tudo planejado. Faltam hoje alguns detalhes, mas bem bobos. Até separar as roupas, as poucas, já estou separando, porque depois não vai dar tempo de secar. Hoje, pensando aqui veio o Acre como um próximo destino. Conheço hoje, o norte quase inteiro, e nada do Acre, que sempre achei que seria o primeiro a visitar. Veio esse lugar que tanto já li, que já cheguei tão perto, e não fui até lá. Ju, uma querida flor que a vida colocou no caminho, nascida no Acre, fica lá até janeiro, antes de voltar aqui para o Rio. Vontade de ir, encontra-la. Respirar mais uma vez o Norte.

Norte do país que esta recorrente esses dias, ouvi uma série de músicas de carimbó. Ai o carimbó. Quantos rodopios, me trouxe tantas saudades de dançar descalça rodopiando suada naquele pedaço de areia e água. Sem duvidas hoje, digo que essa viagem foi a melhor que já tive em vários aspetos. O lugar, a energia, a querida amiga companhia, todos os encontros, que belos encontros, tudo, tudo. Sintonia, se atraímos o que emanamos, quanto amor estávamos emanando naqueles dias.

A primeira vez que me impressionei com o tamanho de um rio. | Rio Madeira - Porto Velho, Rondônia

Viajar pelo Norte de barco era um desejo muito antigo. Conheci Rondônia num encontro de geografia, em 2008. Encontro da arte dos encontros que transformou a vida num jardim repleto de flores paulistas. Em Rondônia presenciei muitas pessoas queridas seguiram pelo Rio Madeira, até o Rio Negro, Rio Amazonas, Tapajós e seguiram até o Macapá e Algodoal. E que processo... Acompanhei com o coração esse pedaço enorme do Brasil que não conhecia. Eu não fui, infelizmente, e fiquei com esse gostinho de barco e tanto rio a caminho do mar guardado. Sabia que ia chegar a minha hora de me balançar naquelas redes.

Em 2013, num dia de profunda triste, dia do enterro de uma querida e jovem amiga, que linda, morreu de câncer aos 26 anos, e no dia 2 de novembro, dia dos finados, fez um lindo dia de sol no Rio de Janeiro, e depois do enterro fui para a praia. Praia, água salgada, que privilégio o horizonte, o descarrego, tanta energia. Ela amava aquelas águas e eu amava ela e também o mar. Seu Cosmos tem maneiras estranhas e sempre maravilhosas de atuar, sem questionar seguimos. O impulso pela vida as vezes vem da sensação de perda que a morte dá. Infelizmente mas cedo ou mais tarde essa sensação vem e a lembrança do curto período que temos nessa jornada. Tirando as indagações, sabemos que é rápido e que tudo, tudo passa.


Na praia, olhando as ondas, pé na areia, cabeça tentando entender as dores do coração, estava com a Julia, um presente com sabor de jujuba em forma de amiga. E réveillon, pensamos. Vamos para onde? Ju, sempre tive vontade de navegar de barco pelo norte... Todo rio vem parar aqui, no mar. Renovar. Descobrir outros reinos, agora os reinos das águas doce. Vamos? E ela disse, vamos sim. Jujuba nunca me disse não. E assim, naquele mesmo dia reservamos nossas passagens de avião e dia 25 de dezembro de 2014 fomos para o Norte... Trocamos de água, mas no final todo rio deságua no mar.


Eu e Jujuba, fazendo parte do caminho dos rios para o mar... Rio Amazonas, no barco, Rio Tapajós, pedaços de Alter do Chão.

E Mario Quintana... Aquele que nos acompanhou na nossa viagem...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Cuba e Cartagena :: Livros e guias


Quem gosta de viajar, geralmente gosta mais da parte deliciosa de preparar a viagem. Pesquisas, as dicas, a imaginação, fico sonhando com as comidas, as danças. Eu e minha ansiedade, e não só ela, me fazem devorar livros sobre, como, porque. (Ai é uma parte do dinheiro na planilha de gastos em viagens, que nunca reclamo de gastar)

Geralmente compro livros de romances passados no lugar, ou poesias, alguma coisa que inspire ou que já tenha inspirado alguém sobre. E clássicos, porque não eles? Lembro quando fui para Argentina comprei Vinicius Portenho, livro sobre Vinicius de Moraes em terras Argentinas. Delícia visualizar o cenário e depois conhecer ele. Destinos latinos aquecem a alma e toda essa preparação. Muito ritmo na literatura. Isabel Allende, Jorge Luis Borges... Tantos amores.


Impossível ir para Cuba e não mergulha no cinema, e claro, na sua revolução. Consegui comprar a bibliografia do Che em espanhol. Enorme, muito bem escrita. Personagens controversos da história. Eu não sou fã de bibliografias, e sempre leio livros revezando seus tipos, logo junto com ele, o clássico e imbatível Mario Vargas Llosa com “Pantaleón y las visitadoras”, também em espanhol. Sonoridades e ritmos das línguas.

Nas aquisições estão os guias. Não comprei um especifico para Cartagena ainda, talvez compre, por enquanto consultando o Guia do viajante na América do Sul, que tem Colômbia e dois guias de Cuba. O sempre questionável lonely planet, confesso que fiquei curiosa para ler o que eles falariam de lá, e o tão bem ilustrado e colorido guia da Folha de SP.

De todos as aquisições, o que amei, foi o livro de Cinema no Mundo, indústria, política e mercado, América Latina, realmente um belo panorama da cultura através da indústria cinematográfica. Quantos países e histórias. “Veias abertas da América Latina”, ficou guardado no coração na adolescência ainda.

E tudo isso sendo lido, ouvindo a todo momento Omara Portuondo, a grande representante da música cubana e Toto la Momposina, maravilhosa cantora colombiana. Grandes mulheres. Toto, que achado. Que delícia tudo isso.

Visto CUBA


A pergunta: como tirar o visto para Cuba? Você colocando no Google acha fácil a resposta, ou as respostas, e tudo que está lá dá certo. Bom, nem tudo, mas deu comigo. O básico é: ou compra com a companhia aérea que esta indo viajar, ou direto no consulado de Cuba no Brasil. Como minha viagem é pela Colômbia, não consegui pela cia, o que seria bem mais barato, tipo R$70,00, tive que ir pela outra via. Mandei e-mail para o consulado e fui imediatamente respondida com as informações e o formulário. Preenchi tudo, mandei minhas passagens, o certificado do curso, Xerox do passaporte, comprovante de pagamento e foi tudo por sedex para o consulado de Brasíia. Tem lá e em SP. Gastei R$ 170,00 mais o sedex para ir, uns R$ 20,00. Nada legal. Odeio esses pequenos gastos de viagem que se acumulam... Eles pesam na minha planilha dos gastos. Parte desses R$ 200,00 não previstos.



Em 3 dias chegou meu cartão do visto pelo correio, na minha casa.
E na minha lista, check, menos uma coisa. Ufa. Faltava ainda comprar a outra exigência, o seguro saúde viagem obrigatório para entrar em Cuba. Mais dinheiro.

Segue as informações que recebi via e-mail do consulado:


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ansiedade


Tentando dormir. Conseguiria, claro, se tentasse com vontade.
Mas ansiedade, vontade maior de pensar, repensar, sonhar acordada, imaginar e como será? 

Minha próxima viagem é a primeira grande viagem sozinha na fase adulta.
Eu escolhi. Isso transforma. E viajar é sair, mas deixar a casa arrumada, pensar como fazer para pagar as contas, como fazer para dar notícias num país como Cuba, com difícil acesso a internet e pouquíssimo dinheiro. 

A comunicação é ansiedade. O chocolate, as corridas pelo campus. Não sei como será. Que cheiro tem o vivenciar tudo sozinha, mas será incrível, porque assim será, assim tem que ser, assim sonho.

Hoje, ouvi carimbó. Que lindas músicas, que ritmo, que saudade do pé descalço rodando no salão, do rio Tapajós, da cidade de Alter do Chão. Das muitas viagens, nenhuma até hoje se igualou ao norte do Brasil. Cheiro, cores, amores, encontreis e rodopios, quantos rodopios e balanços de rede. Sinto saudades.

Um dia escrevo aqui das viagens passadas. Promessa é divida. Ansiedade é escolha.

Fico com essa foto, céu azul, num cais, num Porto, em Santarém, aguardando o barco que me levaria até Belém. Estava muito feliz, comprei tangerinas e maçãs para a viagem. Sinto o cheiro desse dia. Vento no rosto e o movimento constante, mesmo carregado de ansiedade.
Porque até essa tem fim, quando chega o momento que sonhamos, ela vira sorriso, leveza, tangerina na rede.